Sexta-feira, Março 20, 2009
Tenho muitas ternuras pra contar. Palavras de sonho e sensações. Enchi uma pasta de euforias líricas, sóis desgarrados do ventre da poesia. Impressões brancas, douradas, carrego dentro em mim. E tenho, por cúmplice, a poeira das ruas, seus faróis, gente de todo lado, apressando passos, sujando muros, labirintos onde cabem faunas, melancolias.
Minhas ternuras, elas não me cabem. Cabem na noite, nos meus hinos. À cova da razão, minh’alma lavada em selva escava desejos na ventania. Dona de uns leopardos olhos, acesos na noite, fundo as raízes do meu sonho.
Tenho vilipendiado meus ardores. E, por isso, acumulado numa burocrática pasta a pressa d'alma insone, cheia de rubor. Ternuras muitas, recendendo chamas antigas, vastas dádivas da fome.
Sagrada ao rito, logro observar encantos na mão que pousa, feroz, letras foragidas da minha promessa de música.
Deus me quis aturdida e terna, repousada em versos bravios, maré alta; coisa acontecida em becos, açoitada pelo tempo.
Funda a incompreensão do meu discurso. Sentidos de abismos, versos, vertigens. Que víscera no visgo desse timbre? Modulo mansa nunca nula as minhas vísceras. Carrego o dizer como o destino infindável que abarrota meus muitos armários psíquicos, pastas da mente ecoando: abram alas, é vulcão.
Ternuras insondáveis. Teço, farejo na poeira das ruas, nos olhos desgarrados do ventre da poesia: sóis, leopardos, apressando passos na noite. Enchi uma pasta de ventanias.
Gotas do mar
Segunda-feira, Março 02, 2009
A fim de versos
Em Setembro do ano passado fui convidada pela Leila Andrade para participar com um texto na edição da revista cultural eletrônica Diversos Afins, da qual ela e Fabrício Brandão são os editores, ou "leveiros" como mais inspiradamente definiram. Não conhecia a revista, que me encantou pelo esmero de ambos na seleção dos autores, enfaticamente poéticos, mesmo em prosa. A densidade e qualidade dos textos me impressionaram e continuam impressionando a cada mês. Contos, crônicas e poemas abraçam-se num maravilhoso exercício de desarrumação de gêneros e fruição estética. Também destaco a abrangência cultural do e-zine, reunindo críticas musicais, resenhas sobre cinema, ótimas entrevistas literárias, trabalhos fotográficos comoventes e sensíveis pinturas de inspirados artistas. Nessa última edição tenho a honra de fazer parte uma vez mais desse trabalho. Aproveito para mencionar o fato e divulgar a revista. Vale a visita.
Gotas do mar

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Carioca de nascimento, mineira de paixão, cabofriense por uns nove anos. Nascida em 24/12/1981, sob o signo de capricórnio, lua não sei de que, e ascendente em áries. Filha de Marisa e Guilherme, carrega nas veias menos o sangue de filha que a herança emocional dos pais. Sabe-se que Guilherme foi poeta, radialista e homem bonito...e que faleceu em 1987. À mãe, coube a tarefa de cuidar de seus dois filhos e amá-los de maneira incondicional. Ah, sim! a menina Roberta, cognominada desde cedo Beta, tem um irmão mais velho que adora rir bem alto e fazer poesia: Teofilo, que como o próprio nome indica, deve ser amigo íntimo de Deus. Sabe-se ainda que Roberta nasceu fadada às letras, e que delas retira seu frescor, e também seu pranto. Vê a vida com cores de sertão. Adora longos passeios de bicicleta, fim de tarde, declarações de amor, pipoca, só com cinema, e, claro, os poemas de Manoel de Barros. Seus livros preferidos são os de Clarice Lispector, Raduan Nassar, Caio Fernando Abreu, Fernando Pessoa, Drummond, Quintana, entre tantos outros. Ama os pássaros, as borboletas, e os velhos. A uma borboleta (ou a um pássaro) ela dará vida, no dia em que tatuá-la na pele. Anda querendo ampliar sua bagagem literária porque sabe que leu muito pouco até hoje. Vive pelas letras. Suas e alheias.Metade dela é corpo, a outra, é palavra. Tem nas mãos todo tempo do mundo; quer um segundo apenas. Sua música preferida é a do momento. Quer aprender todas as línguas; ser passarinho, pelo menos por um dia; ver seu rosto sem precisar de espelho; ler tudo o que já foi escrito até hoje; conhecer Maria Madalena, e outras personalidades bíblicas. Se tiver um filho dará a ele o nome do pai. Se for mulher, será bailarina. Não pretende se casar. Tem intenções artísticas não moldadas, como suas palavras, que não se emolduram em ornato algum. Gosta do fascínio que o cinema lhe exerce. Não sabe dançar. Mas dança. Não sabe cantar. Mas canta, ainda que no chuveiro. Exerce uma espiritualidade própria, mas não tem religião. Foi fortemente influenciada pelo espiritismo. Conhecer Paris é uma de suas finalidades óbvias. É propensa à solidão e à melancolia. É propensa ao amor.
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