Terça-feira, Fevereiro 17, 2009
Daise gentilmente me convidou a participar do meme seis coisas sobre mim. Seguindo as regras, conto seis fatos e/ou confissões aleatórias sobre mim. Feito isso, indico ainda seis blogueiros para participarem, publicando eles também o selo que identifica a brincadeira.
Seis fatos e/ou confissões:
1. Não há dúvida de que minha ternura provém das Minas Gerais de meus avós. A delicadeza comovente dos olhos verdes da dona Olga, o amor com que ela executava cada pequena tarefa – cortando couve, falando dos mistérios de Deus –, transformou-me num coração ávido de beleza e poesia.
2. Nos últimos tempos meu domingo ganhou novas cores, delineando abraços que não antes. Domingo costumava simbolizar sólida solidão. Virou agora aquilo que se vive junto. Resume a semana, representa o amor.
3. Eu tinha uns seis anos quando escrevi: “E foi infeliz para sempre”. Infeliz é a história do passarinho que cai do ninho assim que nasce e é levado pra longe dos pais pássaros. O destino de toda a vida passa a ser a busca pelos genitores. Quando finalmente consegue voltar ao seu local de origem, descobre que eles já estão mortos. Dramática desde o berço, comparti veementemente a tristeza inexorável da avezinha. Senti-me vulnerável e mortal, talvez pela primeira vez.
4. Ainda de posse da Thalía que sempre me habitou, vivi dor profunda quando descobri que a história do miserável bom velhinho dos sonhos de Natal era só uma fabulazinha para aguçar a imaginação principiante de fedelhos – ou traumatizar infantes como eu. E como as crianças às vezes são cruéis, um amiguinho de escola me revelou a verdade com um tom de superioridade condizente a uma criança ferida em sua boa fé, e uma autoridade incontestável que sentencia: “foi meu pai que me contou”. Mas foi a minha mãe quem teve que ouvir: “Por que você me enganou todos esses anos?”.
5. Calada e curiosa como sempre fui, fiz do meu instinto de observação um hobby, uma necessidade. Escolhi observar velhinhos passantes, especialmente em praças. Encantam-me olhares, mesuras, sabedorias. Enternece-me a maneira obstinada com que, frágeis, agarram-se à vida, amando-a vigorosamente. A elegância de muitos me leva a um tipo diverso de saudade, genuína como as demais, só que diferente: saudades do que não vivi.
6. Tenho uma memória esquisita. Ela é arbitrária e não caminha no sentido das minhas reais necessidades. Sei que a memória é emocional, mas até minhas emoções me extraviam de mim. Numa época de abundância de informações e tempo escasso, recordo muitas vezes irrelevâncias. Mas o que verdadeiramente me aguça o sentido de lembrar é certa facilidade – hobby novamente – para a memorização de rostos. São variadas, numerosas as fisionomias que eu gravo, quase sempre sem me esquecer. Rostos sucedidos por eles mesmos no acréscimo dos anos. Em filmes, em ruas, em fotografias, álbuns, blogs... Tornou-se um desafio pessoal buscá-los na memória, projetar no tempo as feições, reconhecê-las ao limite da exaustão – e da graça da brincadeira.
Seis blogueiros que convido a continuarem o meme:
Adelaide, Angel, Guto, Juli, Lany, Mônica Montone.
Gotas do mar

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Carioca de nascimento, mineira de paixão, cabofriense por uns nove anos. Nascida em 24/12/1981, sob o signo de capricórnio, lua não sei de que, e ascendente em áries. Filha de Marisa e Guilherme, carrega nas veias menos o sangue de filha que a herança emocional dos pais. Sabe-se que Guilherme foi poeta, radialista e homem bonito...e que faleceu em 1987. À mãe, coube a tarefa de cuidar de seus dois filhos e amá-los de maneira incondicional. Ah, sim! a menina Roberta, cognominada desde cedo Beta, tem um irmão mais velho que adora rir bem alto e fazer poesia: Teofilo, que como o próprio nome indica, deve ser amigo íntimo de Deus. Sabe-se ainda que Roberta nasceu fadada às letras, e que delas retira seu frescor, e também seu pranto. Vê a vida com cores de sertão. Adora longos passeios de bicicleta, fim de tarde, declarações de amor, pipoca, só com cinema, e, claro, os poemas de Manoel de Barros. Seus livros preferidos são os de Clarice Lispector, Raduan Nassar, Caio Fernando Abreu, Fernando Pessoa, Drummond, Quintana, entre tantos outros. Ama os pássaros, as borboletas, e os velhos. A uma borboleta (ou a um pássaro) ela dará vida, no dia em que tatuá-la na pele. Anda querendo ampliar sua bagagem literária porque sabe que leu muito pouco até hoje. Vive pelas letras. Suas e alheias.Metade dela é corpo, a outra, é palavra. Tem nas mãos todo tempo do mundo; quer um segundo apenas. Sua música preferida é a do momento. Quer aprender todas as línguas; ser passarinho, pelo menos por um dia; ver seu rosto sem precisar de espelho; ler tudo o que já foi escrito até hoje; conhecer Maria Madalena, e outras personalidades bíblicas. Se tiver um filho dará a ele o nome do pai. Se for mulher, será bailarina. Não pretende se casar. Tem intenções artísticas não moldadas, como suas palavras, que não se emolduram em ornato algum. Gosta do fascínio que o cinema lhe exerce. Não sabe dançar. Mas dança. Não sabe cantar. Mas canta, ainda que no chuveiro. Exerce uma espiritualidade própria, mas não tem religião. Foi fortemente influenciada pelo espiritismo. Conhecer Paris é uma de suas finalidades óbvias. É propensa à solidão e à melancolia. É propensa ao amor.
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