Sexta-feira, Setembro 05, 2008
Eu sou aquela que, aflita de estrelas, carrega silêncios na pele; morena ou pálida, pequenos sóis, dignos de nota, ou de poesia. Tenho sabedoriazinhas, palavras, lágrimas que alimentam o mar, quando mergulho. Indiferenças, não muito diversas, obscurecem as noites minhas. Mas a noite não traduz as indiferenças que carrego, porque ela é crua e densa, funda e fecunda, cheia de honra. O que eu tenho quando assim é uma sombra de pequenos detalhes, que passam. Meu sorriso de beira de estrada é desabrido, doido, colhido da vertigem de um pássaro. Meu riso, tímido e nu, menina-moça que enrubesce, se obscena. Minha voz é a face apagada da lua num amanhecer, que reflete certo brilho, longínquo. No fosso escuro da noite, flerto com o abismo, e muito lúcida, alucino. Carrego sentidos de elementos primários: minha tarefa desde há muito é sentir o fogo na dança das palavras, a terra, na lavoura do texto. A brisa de correr insufla o ar no mar das letras. Sofro de selva, de doer, de sorrir, de me iludir, de viver: por isso eu vivo. E os meus olhos, esses faróis castanhos de ver mundo, brilham, silenciosamente, nas minhas aflições. Por isso seis bilhões de solidões, aflitas e humanas estrelas, conversam, existem comigo, por isso alimentam meu mar; eu, que sou aquela que, sem saber muito bem por que, ou até quando.
Gotas do mar

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Carioca de nascimento, mineira de paixão, cabofriense por uns nove anos. Nascida em 24/12/1981, sob o signo de capricórnio, lua não sei de que, e ascendente em áries. Filha de Marisa e Guilherme, carrega nas veias menos o sangue de filha que a herança emocional dos pais. Sabe-se que Guilherme foi poeta, radialista e homem bonito...e que faleceu em 1987. À mãe, coube a tarefa de cuidar de seus dois filhos e amá-los de maneira incondicional. Ah, sim! a menina Roberta, cognominada desde cedo Beta, tem um irmão mais velho que adora rir bem alto e fazer poesia: Teofilo, que como o próprio nome indica, deve ser amigo íntimo de Deus. Sabe-se ainda que Roberta nasceu fadada às letras, e que delas retira seu frescor, e também seu pranto. Vê a vida com cores de sertão. Adora longos passeios de bicicleta, fim de tarde, declarações de amor, pipoca, só com cinema, e, claro, os poemas de Manoel de Barros. Seus livros preferidos são os de Clarice Lispector, Raduan Nassar, Caio Fernando Abreu, Fernando Pessoa, Drummond, Quintana, entre tantos outros. Ama os pássaros, as borboletas, e os velhos. A uma borboleta (ou a um pássaro) ela dará vida, no dia em que tatuá-la na pele. Anda querendo ampliar sua bagagem literária porque sabe que leu muito pouco até hoje. Vive pelas letras. Suas e alheias.Metade dela é corpo, a outra, é palavra. Tem nas mãos todo tempo do mundo; quer um segundo apenas. Sua música preferida é a do momento. Quer aprender todas as línguas; ser passarinho, pelo menos por um dia; ver seu rosto sem precisar de espelho; ler tudo o que já foi escrito até hoje; conhecer Maria Madalena, e outras personalidades bíblicas. Se tiver um filho dará a ele o nome do pai. Se for mulher, será bailarina. Não pretende se casar. Tem intenções artísticas não moldadas, como suas palavras, que não se emolduram em ornato algum. Gosta do fascínio que o cinema lhe exerce. Não sabe dançar. Mas dança. Não sabe cantar. Mas canta, ainda que no chuveiro. Exerce uma espiritualidade própria, mas não tem religião. Foi fortemente influenciada pelo espiritismo. Conhecer Paris é uma de suas finalidades óbvias. É propensa à solidão e à melancolia. É propensa ao amor.
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