Sábado, Dezembro 24, 2005


Eu não sei o que este 24/12 representa verdadeiramente. Eu vejo um número a mais naquilo que me situa numa das dimensões do meu tempo: a minha idade. É simbólico, mas até que ponto sou modificada por essa realidade? As passagens fendam minha sorte ou sou eu quem abro alas pro meu destino? Pessoas me dão seus abraços, algumas seus melhores sorrisos, outras, me ofertam apenas formalidades. Muitas me surpreendem, me tocam com palavras de fé, torcem pelo meu futuro. O que faço neste contexto? Também torço? Reflito? Continuo uma vida? Ou invento uma vida? A cara de menina não muda, porém os olhos, na mira de cada ano, envelhecem. Mudam manias, mas os credos fundamentais são praticamente os mesmos. São os mesmos os sorrisos e as lágrimas, ainda que outros. Risos de infância, dores de infância, fases que se projetam sem que haja um dia-rito para isso. Então tudo muda, e a gente só percebe porque nossa roupa não nos cabe mais. Existiu a criança, sobreveio a moça, persiste a mulher. Amálgama de todos os metais da idade, espaço-tempo de um tempo de lembranças, de épocas que se inauguram, de datas no complexo calendário da existência. Entre o resíduo do ontem e o que ainda não veio, crio e recordo. 24/12: uma data cheia de atitude, vergonha, cicatrizes e preciosas alegrias. Rito de passagem deste lugar para qualquer outro em que permaneçam amigos, amores, mãe, irmão, reticências.

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