Quarta-feira, Março 30, 2005
Talvez sejamos jovens demais para compreender
Intimamente o significado das descobertas
Mas sentimos como se viessem de há séculos
As certezas do saber.
Queimam em nós
Novos e velhos entendimentos
Porque só sabemos gotas
Dos ciclos das chuvas
Sabemos alvoradas
Risos, ritos de passagem
Sabemos o peito inquieto
De tentativas
De acertos e erros que nossos pés de feto
Trilharam até aqui.
Estamos na véspera da vida
Do que germinou há vinte e tão poucos anos
E é tudo o que temos:
Nossos transbordamentos
A violência das nossas paixões
- intensificando tristezas imberbes -
Sonhos
E sonhos que não se calam nunca
Sim, talvez jovens demais
Exatamente para compreender
O significado de tantas descobertas.
Saciai-vos:
Quarta-feira, Março 23, 2005
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(...) uma das maneiras mais dignas que conheço de fazermos bem a quem gostamos, é não nos traindo, não fazendo certas concessões - que depois voltamos para cobrar -, não corrompendo nossas crenças, e o que nossa natureza aponta como limite (o que não significa que tenhamos de sair por aí afora de mãos dadas com a indiferença, com a inflexibilidade). Errei um tanto até começar a entender o que quer dizer tudo isso. Fui permissiva, também com a dor, até sorver uma ínfima parte dessa verdade. Consenti com a traição íntima, não apenas uma vez, não somente contigo, mas com todos aqueles cujas solicitações e caprichos procurei satisfazer, mesmo quando não me eram impostos. E tanto agi assim, que hoje não sei bem os pedidos que um dia eu me fiz (...)
Começo a sabê-los.
Saciai-vos:
Segunda-feira, Março 21, 2005
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E se as férias acabaram, se o tempo do sofá e dos pés para o alto ficou para trás, agora, com o término definitivo das férias acadêmicas mais longas (e quase inúteis) da minha vida, depois de uma semana fictícia de retorno às aulas, muito mais para constar no calendário, com veteranos se reunindo em enfadonhas comissões de trote de que definitivamente não participo - nem almejo participar, retorno às aulas nessa segunda semana, nessa segunda-feira esquisita, mas feliz. Segunda-feira de pouquíssima aula e muita conversa. E saber que às vezes vale estar lá mais para isso. Entender que a formação pessoal/afetiva é para a vida inteira, é para o bem do espírito, e que a formação profissional, claro, é parte da nossa busca por sentido e sobrevivência, mas que deve ser encarada com mais flexibilidade e menos competitividade, por mais que professores e a "conjuntura atual" afirmem o contrário. Perceber que há afeto na relação travada com os poucos mais fiéis amigos de curso, e que há afinidade de olhos que não só se olham, mas se enxergam e se compreendem, na comprovação de que nem toda amizade consolida-se da noite para o dia, como numa conversa de bar - precisamente a que se fortalece hoje e me motiva à alegria, faz valer qualquer incerteza, a semana fictícia, e principalmente, esse recomeço prazeroso. Porque pessoas com alma de ave quase sempre têm um tempo diferente para tudo, menos pr'o vôo, e para o prazer de voar.
Saciai-vos:
Quarta-feira, Março 16, 2005
photo and art by: Roberta Tostes
Acorda, vem voar. Vem ser pássaro, asa, avião. Vem fazer neblina comigo. Não me despojas de ti! Lambuza as mãos de ventania, pousa a cor que queres dar ao teu vôo, deixa de lado medo, bagagem. Iluda a gravidade. Mas não me abandones no meio deste céu. Repete teu sonho, pula nele em vigília; recobra o gosto que se tem de nuvem, e plaina, e flutua esta tua vontade de alvorada. Compartilha tua viagem, sê atento às estrelas. Dá de beber ao tato, sacia a lua. Pega carona na poeira dourada desta manhã, umedece meu paraíso.. que eu condenso e chovo tuas ascensões..
Saciai-vos:
:: enquanto tudo derrete ::
E as águas de Março que vieram fechar o verão, foram passear por aí, enquanto o Rio derrete, sua gente derrete, num calor que não é dado a metáforas. É calor mesmo, é suor, é o salve-se quem puder dos termômetros; réplica de inferno no corpo, pedido de brisa da alma. Nos abanemos todos, conservando gratidão pelas águas que ainda resistem em nossas duchas ou banheiras residenciais.
♪ Talvez por sua ausência
♪ tudo derreta
♪ Noite sem ninguém
♪ Nada se mexe
♪ Eu sonho nosso amor a sério
♪ E você em outro hemisfério
♪ Enquanto tudo derrete
♪ Enquanto tudo derrete
♪ Enquanto tudo parece
♪ Derreter
* adriana calcanhotto
Saciai-vos:
Terça-feira, Março 15, 2005
:: plágio ::
Para minha surpresa, encontrei não um, mas diversos blogs que estão por aí, a reproduzirem textos e poemas meus, sem que se dê os devidos créditos, e o pior, muitos atribuem a si a autoria dos mesmos. Se fazem plágio de uma simples blogueira como eu, imagina o que não fazem com Drummond, com Clarice, com Fernando Pessoa e tantos outros? Confesso que fiquei boquiaberta ao me deparar com tais cópias em tantos blogs. Um deles chegou ao cúmulo de alterar versos de alguns poemas meus, postando-os na mesma seqüência - e até na mesma data! - com que eu os ia postando aqui no blog, e no fotolog. O mês de Janeiro , então, foi uma festa! Dinho (como o "poeta" se identifica) resolveu fazer uma coletânea de textos meus, o que seria uma honra, se ele não houvesse esquecido de um pequeníssimo detalhe: identificar a autoria. E não é que o rapaz não se conteve e acabou criando outro blog? Neste, o que não é de se espantar, ele continuou copiando livremente meus textos, e certamente os de muitos outros. Chegou ao cúmulo de postar uma foto minha! Só não esclareceu o que uma desconhecida estaria fazendo em seu blog, servindo de ilustração para a música "Seguindo Estrelas", do Hebert Vianna. Considerando que tal blog possui conteúdo predominantemente romântico, eu fico até com medo de pensar o que ele intencionava transparecer publicando um retrato meu por ali! Também foi chamado para participar de um blog comunitário - que não faço questão de divulgar, pois não posso afirmar que os textos dos demais participantes também sejam plágios - e nele fez questão de postar textos de uma certa menina que fez companhia a Hebert Vianna em seu blog: eu.
Já aconteceu, em outras ocasiões, de me deparar com textos meus em blogs alheios, sem que se mencionasse a autoria, mas nunca de maneira tão acintosa. Quando isso acontecia, eu sempre procurava me comunicar com a pessoa por e-mail, e em tom polido, a colocava a par da situação, sugerindo que das próximas vezes ela fosse mais atenta e que citasse a autoria. Geralmente obtive bom resultado, e dessa forma, sem agressividade, ou divulgação gratuita de erros, conseguia fazer com que a pessoa tomasse consciência de que não há problema (pelo menos para mim, e digo isso para quem porventura queira reproduzir um texto meu em seu blog) em reproduzir textos, poemas e músicas que nos emocionam, mas é preciso saber fazê-lo. O caso é menos de vaidade e muito mais de justeza. Porque citar a fonte, dar os devidos créditos àqueles que se revelam por meio das palavras, é não ser omisso com tudo aquilo que os poetas sentem - e escrevem - em seus momentos de legítima inspiração.
Saciai-vos:
Domingo, Março 06, 2005
[para um epitáfio]
Entre acertos e erros, eu vivi e tentei. Não disse tudo que devia, mas os meus silêncios foram os mais honestos. Com a ajuda deles, soube que afeto não se faz com berro, mas com a melodia da alma; que a sabedoria nasceu bem antes de qualquer conhecimento formal, e que reciprocidade não acontece por oportunismo do querer, pois por mais que se force, um bem-querer só é inteiro se íntegro está o coração - integrado no amor e no respeito. Caminhando, vi que não se enxovalha fraqueza alheia por prazer, porque um dia nossa própria fraqueza vem nos enxovalhar também. Aprendi que a coisa mais decente que podemos fazer é nos abrirmos para a beleza, para a luz, e para a noite, como fazem as flores pro sol e pro orvalho; e que, sendo necessário, é preciso defender o que deve ser defendido. Com energia, com justiça e bom humor. Porque se não houvesse riso, os dias teriam sido sombrios, dada minha discrição - pra não dizer timidez - de ser, de sentir, ao brindar a vida e a poesia da vida, ao assegurar tranqüilidade de consciência, mas sem alardes, ao contrário do que fazem alguns. Por fim, compreendi que carinho real é esse que se cala quando não tem nada a dizer, e que espera, pacientemente, pelo aceno da verdade, jurando amor aos olhos que, sabendo esperar, um dia brilham o sim.
Saciai-vos:
Se eu acreditar que ninguém visita este blog, acho que me sentirei em casa, como quando minha casa só está reservada para os meus pensamentos. Porque na solidão confissões ganham ar de intimidade, ambiente que é sempre muito próximo daquilo que costumamos chamar de 'verdade'. A verdade da minha solidão, por mais que seja apenas uma faceta entre muitas, e se afigure, em deslocado contexto, uma ilusão, a mim sempre dá o torno que eu quero e preciso para continuar acreditando. Acreditando em algo, em muitos algos, acreditando em acreditar.
***
E não vejo a hora de retomar minha rotina de estudos, interrompida nestas férias melancólicas e quase inúteis. Não vejo hora de me deparar com minha falta de jeito de lidar com a rotina, de lidar com os relógios que sempre se adiantam quando eu preciso que eles pausem, que não sabem andar para trás, mas que repetem com maestria segundos e futuros, porque relógios, afinal, nasceram mesmo pra isso.
Saciai-vos:
Terça-feira, Março 01, 2005
Tô voltando, tô voltando...
Mergulhando no rasinho da vida pra ir me acostumando ao sal dela. Primeiro os pés, depois as mãos, em seguida a coragem..
[a tarde de ontem foi um desses prenúncios da vontade de ser feliz no acaso, à custa de silêncio a dois. a tarde de um ontem foi um erro da tentativa acertada de continuar querendo. o que valeu foi ter dito "sim"]
repetindo: "eu queria até o fim dos meus dias essa fé em inspirada em nadas, fazer cócega na apatia e ser feliz..."
Saciai-vos:

Esta obra está licenciada sob uma Licença
Creative Commons.
Carioca de nascimento, mineira de paixão, cabofriense por uns nove anos. Nascida em 24/12/1981, sob o signo de capricórnio, lua não sei de que, e ascendente em áries. Filha de Marisa e Guilherme, carrega nas veias menos o sangue de filha que a herança emocional dos pais. Sabe-se que Guilherme foi poeta, radialista e homem bonito...e que faleceu em 1987. À mãe, coube a tarefa de cuidar de seus dois filhos e amá-los de maneira incondicional. Ah, sim! a menina Roberta, cognominada desde cedo Beta, tem um irmão mais velho que adora rir bem alto e fazer poesia: Teofilo, que como o próprio nome indica, deve ser amigo íntimo de Deus. Sabe-se ainda que Roberta nasceu fadada às letras, e que delas retira seu frescor, e também seu pranto. Vê a vida com cores de sertão. Adora longos passeios de bicicleta, fim de tarde, declarações de amor, pipoca, só com cinema, e, claro, os poemas de Manoel de Barros. Seus livros preferidos são os de Clarice Lispector, Raduan Nassar, Caio Fernando Abreu, Fernando Pessoa, Drummond, Quintana, entre tantos outros. Ama os pássaros, as borboletas, e os velhos. A uma borboleta (ou a um pássaro) ela dará vida, no dia em que tatuá-la na pele. Anda querendo ampliar sua bagagem literária porque sabe que leu muito pouco até hoje. Vive pelas letras. Suas e alheias.Metade dela é corpo, a outra, é palavra. Tem nas mãos todo tempo do mundo; quer um segundo apenas. Sua música preferida é a do momento. Quer aprender todas as línguas; ser passarinho, pelo menos por um dia; ver seu rosto sem precisar de espelho; ler tudo o que já foi escrito até hoje; conhecer Maria Madalena, e outras personalidades bíblicas. Se tiver um filho dará a ele o nome do pai. Se for mulher, será bailarina. Não pretende se casar. Tem intenções artísticas não moldadas, como suas palavras, que não se emolduram em ornato algum. Gosta do fascínio que o cinema lhe exerce. Não sabe dançar. Mas dança. Não sabe cantar. Mas canta, ainda que no chuveiro. Exerce uma espiritualidade própria, mas não tem religião. Foi fortemente influenciada pelo espiritismo. Conhecer Paris é uma de suas finalidades óbvias. É propensa à solidão e à melancolia. É propensa ao amor.
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