Quarta-feira, Dezembro 29, 2004


Tekka, do blog strange-fruit emocionou-me mais uma vez. Em resposta ao texto que postei no Focando, oferece-me este belíssimo presente. Seu texto não é só uma resposta poética às minhas palavras; é, antes, um carinho escrito, uma oportunidade de fruição e aprendizado. Vale a pena conferir o belíssimo blog que ela mantém, bem como o site mencionado.

"BETA: Re: O amor

1) o amor sabe esperar: é paciente
2) o amor não diz o próprio nome: aguarda
3) o amor não usa bagagem: quer voar
4) o amor sofre dos nervos: dá gastura
5) o amor é bipolar: tem ataques de depressão e de mania
6) o amor cabe na palma da mão, mas é incomensurável
7) o amor se diz infinito, e baixa à terra
8) o amor é filho da pobreza com a necessidade: mendigo em manto de majestade
9) o amor se diz livre e traz grilhões
10) o amor diz que nada quer ... e a ele damos tudo...

O amor pode, sim, esperar. O amor é corriqueiro, banal, altaneiro, fugaz, renitente. O amor é uma consoante fricativa. O amor é audaz mas ruboriza. O amor é um dos estados da matéria: líquido, sólido, gasoso. O amor desafia a gravidade. O amor é um vírus mutante. O amor não tem cautela. O amor se grita dos telhados e se segreda ao ouvido. O amor é frágil como um ovo. O amor é complacente e se conjuga no subjuntivo. O amor é uma "coisa com plumas". O amor traz em si sua própria entropia".

Tekka Whitman

Não morra de sede, beba comigo mas também me sacie:




Terça-feira, Dezembro 28, 2004


As Interfaces da Dor



A Internet trouxe um tipo de dor nova. Implantada. De silício. Suplício ainda mais paradoxal que a distância física. Uniu os semelhantes; e os dessemelhantes também. Trouxe no seu bojo de bits, de bytes, homens binários, recalques virtualmente quebrados, desassossegos potenciais, e a prevalência da imagem sobre a sensação. Meu sorriso se fez um caractere, e eu o acariciei com os meus dedos. Aliás, com eles, exerci o meu tato, no mundo da mais real ilusão. Matrix. Senti e o senti assim tão branco, desenhei meu abandono, digitei coragem... o fiz com toda a emoção dos meus 20 gigabytes! A sensação foi morna, e vibrante; real, virtual... fez-se encontro. Olhinhos acenderam nos chats do coração. Então, a comunidade trouxe flanêur novo. Cibernético. Que no começo do século anterior inebriava-se da velocidade urbana. E se alimentava dela. Só que o mundo correu mais que ele, e volatilizou... os sentidos. Homem perdido. Memória piscando.... minhas dores... ouço o barulho ao fundo: minha mp3 é que chora. www.assimnaoda.com.br. Quis encontrar, tendo toda rede... eu virando peixe. Quis fugir. Forçar o destino. Comprei umas cartelas da dor nova e mandei que entregassem em casa. Fui no Google, pesquisei ¿cadê o homem?¿. Encontrei monte deles. Mergulhei fundo, só que fora, dentro de mim. Alimentei. O hd do meu fosso. Disco rígido compactando solidão. On line. Out of me. A Internet trouxe um tipo de homem novo. O mesmo. Velhos, desvalidos, famosos. Desempregados, workaholics. Os desolados. Mendigos sentimentais. Intelectuais, políticos. De esquerda, de direita, centro-qualquer-coisa. Os que guerreiam. Os que chacinam. Os que pacificam. Os românticos. Mentes brilhantes. Autistas. Normais, anormais. Sem-rótulos. Os preconceituosos. Sem segmentos. As crianças. Os que buscam. Encontram? E perdem. Tragam. E fumam. O acaso. Espécie de fumaça, sem cheiro, e um pouco mais instante. Hipertexto. Sem texto. Hipermídia. Sistemas de informação. Departamento de Defesa norte-americano. Protegendo a guerra. Fria. No coração. Tecnologia e rudimentos. Burguesia. Consumindo a enxaqueca. ¿Brinquedo novo!¿ A dor no início. Janela se abrindo. Não sabia que era ela. Eu virei peixe. Na rede. Encontrei o desencontro. Eu precisava escrever. Deflagrei uma dor linda por dentro. Usei o instinto. Os meus fios de silício. Sendo o meu outro tão irreal no mundo, quis entendê-lo. Fora dele. Escrevi meus zeros, meus uns, meus zunszunszuns... joguei minha rede. O mar todo convulso... de botos humanos, sentindo a dor nova. Ela nem doeu, doeu no implante. Na máquina. Nas interfaces gráficas. E o que acontece quando a dor nova da gente se junta? Vira alegria doída? Dois peixes numa noite suja. Um teclando o outro.

Não morra de sede, beba comigo mas também me sacie:



Segunda-feira, Dezembro 27, 2004


Era de Girassóis



Procuro as penas do teu ser
Para nele inscrever
A insana história de minhas eras,
Quimeras de Orfeu
Que Deus não concebeu,
E sim um outro Zeus,
O ateu, o à toa,
Que, na proa dos meus eus,
Desenhou-te os pés,
Girassóis cravados,
Delírios fincados,
Nas curvas destes Abaetés.
Cantou-te as liras que eu fiz,
Arrancou-te suspiros dos olhos anis.
Expropriou-me de ti,
Tirou-me daqui,
E contigo fugiu,
N'alguma estrela que perdi!


Não morra de sede, beba comigo mas também me sacie:



Sábado, Dezembro 25, 2004


O dia levantou cedo hoje. Sete e meia estava me acordando, mesmo sabendo que eu tinha dormido às cinco. Deve ser porque tem pressa de viver, e pede sol, brisa da manhã, café quentinho... A amálgama de angústia e de euforia que tomou conta de mim na tarde de ontem - tão típica dos meus ritos de passagem, felizmente arrefeceu. Restou a vontade boa do viver, já de pé, antes mesmo de o sol raiar. Natal pra mim só é feliz dentro de casa, ou fora dela, mas com muito do meu lar dentro do peito, com muito dos meus amores, e dores, e incertezas tão certas do sentir. É por tudo isso, então, que vale realmente a pena celebrar.

Não morra de sede, beba comigo mas também me sacie:




Sexta-feira, Dezembro 24, 2004


Escolhas

Fazer aniversário, sufocada como estou, é uma pausa providencial, interrupção temporária de uma ação, ou dos problemas do conviver. Comemora-se e pronto! Fazemos as pazes com as diferenças, ainda que provisoriamente. Eu que sempre tenho por bem não revogar tratados de consciência, revogo a mim mesma, numa tentativa frenética de emancipação. A prisão não é só física ou emocional. No afã de colher amores como quem colhe flores num jardim infinito, metemos a colher na sopa que não é nossa, instigando encontros desencontrados, os quais vêm desembocar nas formas mais mutantes de convivência. Então, o que não deveria ter muita importância, passa a ser o objeto primeiro da nossa preocupação, limitando assim o que desejaríamos sentir ou fazer. Hoje eu convivo sem conviver comigo. Exibo uma indiferença que não é minha, mas que é tudo o que posso apresentar nesse fim de ano chovido, quente, mas pouco caloroso, nesse instante que é sempre o definitivo. Minha floresta foi devassada, na imprevidência dos meus atos, por absoluta falta do meu fazer, que fez errado quando imaginou que felicidade era sair convivendo com as pessoas as mais diversas, e ir travando com elas intimidades, calores, risos e lágrimas. Oh, tudo isso é muito bonito! mas existem gradações, escolhas, afinidades, e até para ser ousado, é preciso cautela. Tá, eu não me arrependo. Fui feliz nos erros e acertos porque saí do casulo, mergulhei fundo, mesmo quando eram rasas as águas que me esperavam. Mas da próxima vez eu quero fincar pés nos abismos submersos das escolhas, e não flutuar nas bóias da superfície indigente. Que seja único, como tudo o é, e que ainda seja especial. É direito nosso. Errar, acertar, ser livre pra ser triste, indiferente, e com alguma sorte, feliz.

Não morra de sede, beba comigo mas também me sacie:



Quinta-feira, Dezembro 23, 2004


Amanhã serão:
.23 anos.
.23 lembranças.
.23 maneiras de dizer "obrigada" ou "eu te amo".
.23 sacudidelas na alma.
.23 modos de te olhar.
.23 dias pr'eu te esquecer.
.23 livros pr'eu ler.
.23 sonhos a alcançar.
.23 modos de sorrir.
.23 gotas da chuva que cai.
.23 rios inteiros.
.23 calafrios.
.23 destinos cumpridos.

Aos demais, um ótimo 24, seguido de um Natal pleno de realizações..

Não morra de sede, beba comigo mas também me sacie:



Domingo, Dezembro 19, 2004


Se o dia, todo dia, é uma vida nova, então nos recriamos a cada vinte e quatro horas. Assim sendo, é mister que cultivemos nossos ritos, para as transições do nascer e morrer. O sol, vejamos, ele brilha, e arde na pele, desde que coabitamos o universo. Suas aparições diárias constituem uma celebração, ainda que cotidiana, da natureza-mãe. Percebido dessa maneira fica mais bonito, não? Nós - filhos dela, irmãos entre nós, ou o que mais queiramos nos chamar, intimamente sabemos e estamos prontos. A surpresa, por mais que nos surpreenda, é aguardada, como possibilidade do acontecer. Fechamos ciclos, mas abrimos outros. As solenidades não param por aí. À alcova da alegria vem se sobrepor a cova rasa da tristeza, até reencarnamos numa nova (nem tão nova) emoção. Transigimos com nossa biografia, incerta, mas a respeito da qual podemos supor cada uma das sensações. Experimentaremos. Frio, dor, insípido, lubricidade. Nossos avós fizeram o mesmo. É o que basta para sairmos em busca de contextos que justifiquem o sentir.

Não morra de sede, beba comigo mas também me sacie:



Sexta-feira, Dezembro 17, 2004


Quem eu sou?
(dentro de ti)



Não tenhas medo de mim. Não confrontas. Não fujas. Estamos no mesmo barco. Na mesma ilusão. Povoando esse corpo de abismos profundos. Recuperando a dor do não uno. Siga! E não olhes para trás. Conviva com teus erros. Teus ledos enganos. Saiba ser quantos precisares. A soma resulta em lágrima. E eu não sei? Mas somos o que somos. Nada mais. Conviva com o medo, com o denso que eu te ofereço. Não quero ser escrupuloso e altivo como tu. Conviva com teu pior inimigo, que sou eu, dentro dos teus reinos, e não te assustes quando eu acordar. Não me comunico por essas linhas gentis aqui escritas em letras garrafais. Não me questiones com essa tua racionalidade de araque. Eu sou cor, foi o que disseram a mim. A energia vem cá de dentro, e como dói vê-la espargida no mundo dos teus! Já te disseram tanta coisa. E o melhor de mim ficou cá escondido, porque ganhaste o mérito de me carregares como espinho e como flor. O que produzes de melhor sou eu quem faço. O que produzes de veneno e de loucura, também sou eu. A tua fúria, onde achas guardada? O teu desconsolo é não saber quem sou. És detrito humano, e eu, tua cor. Disseram-me também. Eu sou a energia, pulsando dentro e fora do teu imundo ser. Sou parte do teu Cosmus, mas não respeito as tuas conveniências, vivo nas tuas entranhas; pra te atormentar, pra te questionar, fazer-te perder o bom senso, a máscara de arlequim, tão bela, e tão falsa. Para que, no teu limite, não saibas o que fazer comigo. Para que, por fim, tenhas de me carregar pela vida afora, como coisa tua. Um filho, uma cicatriz, um vício teu. Os minutos passam e tentas achas espaço para ti no mundo. Tolo! Acaso acreditas que serás alguém enquanto lamberes as botas desses carrapatos humanos, que sugam uns aos outros, tentando ser alguma coisa nessa vida? Eu sou feio, não te assustes comigo! Já deverias saber. Eu não uso poesia; o meu poema entrou em coma desde o teu primeiro desespero, quando precisavas me ver renascido nos teus escombros, procurando o luar. O meteoro que a vida te lançou, meu querido, foi tão potente que o céu te acinzentou os olhos desde então. Por um lado foi bom, porque pôdes ver o lado escuro da vida, o feio, o pântano assombroso do qual também a vida emerge. E meus poemas desde então, não te serviram mais. O meu poema ficou quietinho como menino morto dentro do teu peito, esperando que um dia... esperando sei lá o quê! Precisavas que eu te desses sentido e foi isso o que eu fiz! Cobri-te de sentido. Eu te salvei da morte. Mas comigo compraste passaporte para o inferno. Eu sou uma espécie de Jesus às avessas, mas não sou eu o demônio. É a própria vida. Que nos faz ser o que somos. Temos essência? Mas adoramos aparência! Eu te salvo e te salvarei sempre do paraíso prometido, porque sei que vai doer muito mais adiante quando voltares a mim pedindo minhas histórias e minha criação de sentidos demoníacos. Eu te sugo, eu te queimo. Mas eu te protejo, eu te acalento também. Sou a barriga gorda da tua mãe, no nono mês de gestação. A tua espora, bem no meio dessa barriga, quente, exígua, a supliciar tua marcha. Sou o único que estou contigo para onde fores. O que dialoga com as tuas repugnâncias, o que respeita o teu dia a dia. Quando te despes, eu até fecho os olhos! Sou esse teu bicho-instinto, feio, ardiloso, profano. Mas sou um bicho bondoso! Quase.

.16/07/2003.

Não morra de sede, beba comigo mas também me sacie:



Quinta-feira, Dezembro 09, 2004


A Cidade



Acabo de chegar à cidade. Mas é como se a cidade tivesse entranhado em mim. Seu sal, seus sóis, sua gente enfeitiçada pelo mar. Eu enfeitiçada pelas lembranças de minha memória afetiva, pela decifração dessa língua proibida que é o amor. Nem venho de tão longe, mas minha boca diz que atravessei o sertão inteiro para estar aqui. Ou é o sal corrompendo a harmonia da umidade no corpo, arranhando o corpo, desnudando a nudez do ontem, eu menina, eu mulher. A praça, os caminhos que eu fazia até chegar a casa dele e gritar seu nome para que fôssemos a qualquer lugar. Hoje ele é pai e eu não faço idéia de como estão seus olhos. Hoje sou mãe de palavras arrastadas pelo vento que venta aqui de um jeito que não venta lá. Quando é Sudeste a força do mar invade as calçadas da minha imaginação, mas sou apenas uma mulher brincando de menina, crescendo com a dor. Não que eu lamente, saudade é quadro contemplado na memória, como esse que está pregado na parede do apartamento do amigo que me abrigou na cidade perdida. Arte abstrata? São uns riscos e matizes avermelhados, e tem uns verdes que devem ter sido vegetação na mente do pintor. Mente abstrata. Lembrando os ventos, lembro a mim mesma, e a imagem que pinto do que eu era decerto não é a imagem do que eu era. Tampouco a essência, que é um bicho arredio, que vive nas selvas da gente e se deixa entrever apenas quando as almas estão limpas, de rios que escorrem e fazem arco íris com a chuva. Coloca na pedra um lagarto que sorri. E frente ao inusitado, a alma também sorri, e a essência emerge. Pra depois decair com o sol. O retrato da minha essência conservado na memória decerto não é a essência da essência do que eu era. O que eu era? Rubem Alves, no livro Retratos de Amor, devota um capítulo à "Você e seu retrato": "a 'foto' pertence ao mundo da banalidade: o piquenique, o turismo, a festa (...) um retrato, ao contrário, só aparece ao fim de uma meditação metafísica". A aparição é efêmera, mas o amor, não. Ainda que eu não saiba o que eu ame naquilo que amo, continuo a amar. Ainda que eu não saiba se as recordações e a sensação querida de nostalgia que eu sinto ao aportar nessa cidade é produto de um quadro que pintei pra ficar belo na memória, e nada diga realmente a respeito da saudade, eu sinto saudades. E vou continuar a sentir pelo resto da minha vida. Dizem que quem escreve é dado a sentimentos de nostalgia, dizem que quem ama desconhece as razões do amor. Ama antes de amar. Ama o rosto que coube na tela daquilo que idealizou pra amar. Ama, sem nem mesmo amar. Mas ama, e o amor é tão profundo que venta mais forte que todos os ventos dessa cidade, que arde mais que todos os corpos do verão... mergulha os pés na areia. A natureza é implacável, é mais que a gente, é a gente dentro dela. A saudade não é a do homem que eu nem cheguei a amar, tampouco da cidade que eu habitei sem habitar. Saudade é metáfora de sentir. Sentir é preciso, tal como navegar, e eu navego todo santo dia na jangada do meu sentir. Hoje eu amo diferente porque meu amor é mais maduro e sabe estar ao meu lado do jeito que for. Hoje o amor novo veio conhecer o de outrora. A chama está acesa dos dois lados, e é o meu coração o que eu queimo. É um amor devotado dentro dele, um amor que sabe das ciladas do amor. A cidade me penetrou de um jeito, que eu já me sinto bronzeada sem estar, meus pés estão cheios de areia, mas eu sequer cheguei a pisar na areia do mar! A porta da felicidade foi aberta hoje, estreita como o corredor do ônibus em que eu vim. Meus olhos me adulam pra beleza, e eu peço licença pra apreciá-la.

Cabo Frio, 30 de Dezembro de 2003.
Nostalgias de fim de ano - anualmente sentidas...


Não morra de sede, beba comigo mas também me sacie:



Domingo, Dezembro 05, 2004


Eu preciso me sentir. Voltar a me viver. Por dentro, um pouco mais. Eu preciso desse roçar com o desconhecido. Densidades e vetores apontando pro céu. Pés e horizontes pro mar, bronzeando as sensações do "ser ou não ser?". Preciso do que não se revela tão facilmente.. Do que não presta, da serventia inútil de olhos ébrios e dionisíacos. E são tantos os desfraldados, feito bandeira, à sombra do vento que não são capazes de carregar. São tantas as frivolidades, que em certos dias eu me permito pequenos desprezos também. Quase como uma provocação, que não dura mais que o tempo de um degredo emocional. Depois volto a me emocionar. Guardo em mim o que vale e é digno de nota, guardo um modo peculiar de entender os desdobramentos do mundo, mas poucos sabem, poucos entendem, porque poucos fazem questão de sentir. Buscam-se com parcimônia. Não se questionam, poupam-se o trabalho das adivinhações íntimas. E é por isso que magias se perdem na mesma proporção com que não se nota mais o brilho do olhar. Tão poucos... Feito eu, você, feito o sonho.

Não morra de sede, beba comigo mas também me sacie:



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