Terça-feira, Junho 08, 2004
Recebi uma carta linda da Rê hoje. Acordei agora mesmo de um repouso fora de hora e meu irmão veio entregá-la. A carta dela me despertou não só o corpo, como também meus pensamentos. Veio com foto dessa vez a correspondência dessa menina bonita que ontem me deixou tão preocupada!
Imaginem só que veio um carro sem freio e a atropelou! Motorista irresponsável! Até agora estou meio sem acreditar. A gente tem mesmo tendência a achar que as pessoas que amamos são imortais. E que estão protegidas apenas pelo nosso amor. Graças à Deus não aconteceu nada de mais grave com minha irmãzinha.
Fico sem jeito de contar isso aqui, faltando só dar nome e endereço. Mas é que, por me conter sempre, uma hora eu derramo. Além do que eu disse que faria disso um diário, no que de pronto me esquivei. Me esquivo até hoje do papel! Para ele invento significações misteriosas, maneiras de revelar o que pretendo quase sempre esconder.
Então escrevo: 'eu pensei que fossem lágrimas' - pra não dizer que chorei. A história então me escapa, e eu escrevo sobre o que eu não sei.
'As lágrimas que eu pensei que fossem, não são. É outra coisa que eu não sei'. Embutido está: mais uma coisa que não sei. Não sei, ou não contei?
Chegam-me absurdos outros: 'sonhar é dormir com a luz do coração acesa'. Eu não termino uma história. Emendo uma na outra, sem saber o que fazer com ambas. As palavras é que às vezes gostam de fazer sentido, arrumam-se entre elas, e quem fica com o mérito sou eu.
Eu não quero mais. Essa história de escrever rendeu muita dor e alegria. E tem doído muito lembrar dos absurdos que me disseram.
Lendo a carta de minha amiga Renata, eu até esqueço das pessoas que podem nos fazer mal, e que nos julgam tomando como parâmetro inseguranças pessoais. Sempre alcanço um sorriso, quando me lembro da Renata. Até me esqueço no abraço da amizade dela, mesmo à distância. Bom seria se fosse sempre assim.
Ontem eu me questionei muito sobre que espécie de amiga eu era pra você. Resposta que dependerá de outra: que tipo de pessoa eu sou para mim?
Quando alguém me faz bem demais, sinto-me docemente triste. O que não chega a ser ruim porque é um modo de ser que eu aprendi a respeitar, já que eu não posso entender. Sei até ser somente alegria, mas no meu caso dou a isso o nome de euforia.
E como depois da euforia vem sempre a dor bonita, acaba sempre predominando a melancolia dos dias frios. E a das noites também.
ps: se você não me conhece, não tente encontrar sentido nessas palavras.
Não morra de sede, beba comigo mas também me sacie:

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Carioca de nascimento, mineira de paixão, cabofriense por uns nove anos. Nascida em 24/12/1981, sob o signo de capricórnio, lua não sei de que, e ascendente em áries. Filha de Marisa e Guilherme, carrega nas veias menos o sangue de filha que a herança emocional dos pais. Sabe-se que Guilherme foi poeta, radialista e homem bonito...e que faleceu em 1987. À mãe, coube a tarefa de cuidar de seus dois filhos e amá-los de maneira incondicional. Ah, sim! a menina Roberta, cognominada desde cedo Beta, tem um irmão mais velho que adora rir bem alto e fazer poesia: Teofilo, que como o próprio nome indica, deve ser amigo íntimo de Deus. Sabe-se ainda que Roberta nasceu fadada às letras, e que delas retira seu frescor, e também seu pranto. Vê a vida com cores de sertão. Adora longos passeios de bicicleta, fim de tarde, declarações de amor, pipoca, só com cinema, e, claro, os poemas de Manoel de Barros. Seus livros preferidos são os de Clarice Lispector, Raduan Nassar, Caio Fernando Abreu, Fernando Pessoa, Drummond, Quintana, entre tantos outros. Ama os pássaros, as borboletas, e os velhos. A uma borboleta (ou a um pássaro) ela dará vida, no dia em que tatuá-la na pele. Anda querendo ampliar sua bagagem literária porque sabe que leu muito pouco até hoje. Vive pelas letras. Suas e alheias.Metade dela é corpo, a outra, é palavra. Tem nas mãos todo tempo do mundo; quer um segundo apenas. Sua música preferida é a do momento. Quer aprender todas as línguas; ser passarinho, pelo menos por um dia; ver seu rosto sem precisar de espelho; ler tudo o que já foi escrito até hoje; conhecer Maria Madalena, e outras personalidades bíblicas. Se tiver um filho dará a ele o nome do pai. Se for mulher, será bailarina. Não pretende se casar. Tem intenções artísticas não moldadas, como suas palavras, que não se emolduram em ornato algum. Gosta do fascínio que o cinema lhe exerce. Não sabe dançar. Mas dança. Não sabe cantar. Mas canta, ainda que no chuveiro. Exerce uma espiritualidade própria, mas não tem religião. Foi fortemente influenciada pelo espiritismo. Conhecer Paris é uma de suas finalidades óbvias. É propensa à solidão e à melancolia. É propensa ao amor.
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