Quarta-feira, Maio 12, 2004
Evidências
de 'Evidências'
'Evidências' é o nome de uma música que eu aprendi a gostar depois da releitura feita por Ana Carolina (no show da temporada do cd 'Ana Rita Joana Iracena e Carolina').
Sim, a música é brega, eu sei. Mas eu aprendi a gostar da breguice dela, como quando a gente aprende a gostar não só das qualidades (sempre óbvias para nós, em se tratando de objeto amado: 'como não dizer que ele/ela é maravilhoso?'), mas também dos maiores ou menores defeitos daqueles a quem queremos bem - os quais, depois de alguns meses de convivência, geralmente já não chamamos de 'bem', mas de 'traste'.
Sim, estou sendo EVIDENTEMENTE preconceituosa. A música só passou a ser boa, ou ainda, 'audível' para mim depois da tal da releitura - nome mais pomposo e vago!, feita por Ana Carolina.
Dizer que a música deixou de ser brega só porque minha cantora preferida a interpretou seria tão tolo quanto afirmar que eu já não prestava atenção nela - por vezes com olhos até rasos d'água, quando a mesma ganhava timbres bem agudos nas vozes de Chitãozinho & Xororó.
Para alguns extremistas - extremistas em qualquer coisa: música, sexo, política, vida pessoal; aventurar ouvidos 'sensíveis' na audição de um tipo de som que não se está muito habituado a ouvir, é dar indícios claros de que se está apaixonado. Apaixonada, no caso. Sempre achei isso uma tolice, mas só por precaução advirto que uma coisa não tem nada a ver com a outra.
Hoje me lembrei de 'Evidências' apenas por uma questão semântica, e associação natural de fatos. É que sinto com tanta evidência a evidência de minha melhora, que não seria de se estranhar se eu cantasse um trechinho da música em dueto com o dueto sertanejo.
Procurei no meu dicionário pessoal a melhor palavra para falar desse estado-de-espírito-de-quem-voa-só-com-a-imaginação. Achei evidência. Talvez porque meu dicionário também quisesse deixar visível para mim os meus pródigos resultados. Depois de mais vindas que idas, eu acho que vou: estou indo. Vejo-me às voltas com o recomeço, e o maior dos desafios (por isso mesmo, o maior dos prazeres): reaprender a conviver.
Como quando se redescobre uma música de que se gosta, há muito esquecida nas teias da memória - sendo ela brega ou não, que importa?, e tem-se a surpresa boa de uma boa surpresa já tida; tive eu a minha, de descobrir íntimas evidências, ao som de 'Evidências', na voz tão bela de Ana Carolina.
'Quando eu digo que deixei de te amar
é porque eu te amo
Quando eu digo que eu não quero mais você
é porque te eu quero
Eu tenho medo de te dar meu coração
e confessar que eu estou em tuas mãos
O que vai ser de mim se eu te perder um dia
Eu me afasto e defendo de você
mas depois me entrego
Faço tipo falo coisas que eu não sou
mas depois eu nego
Mas a verdade é que eu estou louco por você
e tenho medo de pensar em te perder
Eu preciso aceitar que não dá mais
pra separar as nossas vidas
E nessa loucura, de dizer que não te quero
vou negando as aparências
Disfarçando as evidências
Mas pra quê viver fingindo
Se eu não posso enganar meu coração
Eu sei que te amo
Chega de mentiras, de negar o meu desejo
Eu te quero mais que tudo
Eu preciso do teu beijo
Eu entrego a minha vida
pra você fazer o que quiser de mim
Só quero ouvir você dizer que sim
Diz que é verdade, que tem saudades
que ainda você pensa muito em mim
Diz que é verdade, que tem saudades
que ainda você quer viver pra mim'.
Não morra de sede, beba comigo mas também me sacie:
Terça-feira, Maio 11, 2004
:: Da série: Gostoso é ser feliz! ::
Porque só quem é viciado em Danone entende essa farra cor-de-rosa com o paladar.
Não morra de sede, beba comigo mas também me sacie:

Esta obra está licenciada sob uma Licença
Creative Commons.
Carioca
de nascimento, mineira de paixão, cabofriense por uns nove anos. Nascida
em 24/12/1981, sob o signo de capricórnio, lua não sei de que, e ascendente
em áries.

Filha de Marisa Tostes e Guilherme Daniel, carrega nas veias
menos o sangue de filha que a herança emocional dos pais. Sabe-se que
Guilherme foi poeta, radialista e homem bonito... e que faleceu em 1987.
À
mãe, coube a tarefa de cuidar de seus dois filhos e amá-los de maneira
incondicional. Ah, sim! a menina Roberta, cognominada desde cedo Beta,
tem um irmão mais velho que adora rir bem alto e fazer poesia: Teofilo,
que como o próprio nome indica, deve ser amigo íntimo de Deus.
Sabe-se
ainda que Roberta nasceu fadada às letras, e que delas retira seu frescor,
e também seu pranto Vê a vida com cores de sertão.
Adora longos passeios de bicicleta, fim de tarde,
declarações de amor, pipoca, só com cinema, e, claro, os poemas de Manoel
de Barros. Seus livros preferidos são os de Clarice Lispector, Raduan
Nassar, Caio Fernando Abreu, Fernando Pessoa, Drummond, Quintana, entre tantos outros.
Ama os pássaros, as borboletas,
e os velhos. A uma borboleta (ou a um pássaro) ela dará vida, no dia
em que tatuá-la na pele.
Anda querendo ampliar sua bagagem literária
porque sabe que leu muito pouco até hoje. Vive pelas letras. Suas e
alheias. Metade dela é corpo, a outra, é palavra.
Tem nas mãos todo tempo do mundo; quer um segundo apenas. Sua música
preferida é a do momento.
Quer aprender todas as línguas; ser passarinho, pelo
menos por um dia; ver seu rosto sem precisar de espelho; ler tudo o
que já foi escrito até hoje; conhecer Maria Madalena, e outras personalidades
bíblicas.
Se tiver um filho dará a ele o nome do pai. Se for mulher,
será bailarina. Não pretende se casar. Tem intenções artísticas não
moldadas, como suas palavras, que não se emolduram em ornato algum.
Gosta do fascínio que o cinema lhe exerce. Não sabe dançar. Mas dança.
Não sabe cantar. Mas canta, ainda que no chuveiro. Exerce uma espiritualidade própria, mas não tem religião.
Foi fortemente influenciada pelo espiritismo. Conhecer Paris é uma de
suas finalidades óbvias.
É propensa à solidão e à melancolia. É propensa ao amor.
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